Josephine Baker-Dançarina, cantora, e actriz negra norte-americana naturalizada francesa


Josephine Baker

03/06/1906, Saint Louis (EUA)

12/04/1975, Paris (França)

Dançarina, cantora e actriz negra norte-americana, naturalizada francesa

Josephine nasceu na cidade de St. Louis, no Missouri. Aos 8 anos, teve de começar a trabalhar como empregada doméstica. Com 13, juntou-se a um grupo teatral de terceira classe. Não possuía nada, apenas um talento artístico excepcional e a vontade férrea de vencer na vida.

Aos 16 anos, Josephine Baker foi para Nova York, onde conquistou um lugar no grupo das dançarinas do Music Hall. Não demorou para que a produtora Caroline Reagan enviasse Josephine Baker a Paris. Começou assim uma carreira ímpar. Josephine Baker: “Deixei os Estados Unidos num dia enevoado de Setembro e desembarquei aqui, com o sol da França no coração. Eu decidi vir para cá, pois sabia através dos meus pais – oriundos de Martinica –, que na França eu encontraria opiniões liberais, liberdade de pensamento e uma visão mais natural do corpo.”

O cenário da estreia de Josephine Baker no teatro de Champs-Elysées, em Paris, tinha uma paisagem dos EUA, as margens do Mississípi. No palco, uma negra muito jovem. Ela contorcia-se, dançava com movimentos de êxtase, cantava com voz de passarinho tropical. E não estava vestida com roupa nenhuma, a não ser uma saia de bananas. Era a Vénus Negra: Josephine Baker.

Protestos até de Paris

Josephine tinha razão. Inicialmente, mesmo na liberal Paris, ouviram-se alguns protestos após as suas primeiras apresentações. Josephine tornou-se estrela no Folies Bergères e depois no Casino de Paris, conquistando a fama logo em seguida. Rapidamente tornou-se a favorita da França. Foi muito mais forte o entusiasmo pela forma inteiramente nova de dançar. A popularidade de Josephine Baker era ilimitada. Ela tornou-se o símbolo da decadente década dos anos 20 em Paris. Seus cabelos curtos, ajustados na cabeça com brilhantina, à guisa de um capuz laqueado, tornaram-se moda para toda uma geração. Não foi à toa que Josephine recebeu os apelidos de “Vénus negra” e “Deusa de ébano” e arrancou elogios de grandes personalidades da ciência, da pintura, da escultura e das letras que ficaram seus admiradores e com o tempo seus amigos: Jean Cocteau, Pablo Picasso, Georges Simenon, Alexander Calder, E. E. Cummings.

Seus cachês milionários permitiam-lhe todo tipo de extravagâncias. Através do Director do Teatro Max Reinhard, a estrela passou a apresentar-se também em Berlim.

Em Berlim, Josephine Baker teve o seu primeiro contacto com o  racismo. Os nazis começavam a ganhar terreno. Os simpatizantes do nazismo impediam, com vaias, as suas apresentações. Em alguns jornais, ela era difamada pela forma arrojado como se apresentava em palco.

Como penitência “pelos graves delitos contra a moral, (pobre moralismo) cometidos por Josephine Baker”, a cidade de Viena, extremamente conservadora, mandou celebrar “missas especiais” (e pela moral dos padres pedófilos, predadores velhacos, nos seminários e nos conventos e nas sacristias?) almas durante as suas apresentações. Josephine procurou então refúgio nos Estados Unidos. Em Nova Iorque, a artista negra foi expulsa de um restaurante “só para brancos”.  O racismo nesses anos estava no auge nos EUA. Decepcionada, ela retornou a Paris.

A participação de Josephine na Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial e a sua luta contra o racismo, valeu-lhe as duas mais altas condecorações da França, a Cruz de Guerra e a Legião de Honra. A partir de 1950, realizou um dos seus desejos mais ardentes: como não tinha filhos próprios, começou a adoptar crianças órfãs durante suas turnês pelo mundo, partilhando com elas o seu castelo, Les Milandes, nas vizinhanças de Paris. Também adoptava muitos animais.

A idade foi avançando. Nos finais de 1960 deixa os palcos. Em 1968 passa por dificuldades financeiras.

Josephine Baker: “É o mesmo problema no mundo inteiro! Agora tenho uma grande família e estou muito feliz mas preciso de muito dinheiro!”

A Princesa Grace de Mónaco, quando soube dos seus problemas, ofereceu-lhe uma casa no Principado. Baker reapareceu então em Mónaco, com grande sucesso em 1974. No mesmo ano fez uma turnê em Nova York com enorme êxito.

Regressou a Paris e actuou no palco até aos 68 anos de idade. E foi em Paris, em Abril de 1975, que ela celebrou os seus 50 anos de vida artística com um grande espectáculo. Quando pressentiu que estava perto do fim, pressentiu, porque aparentemente não estava gravemente doente, disse: “Agora, tenho de dizer adeus e enviar um grande beijo a todos!”

E foi o seu último espectáculo. Entrou em coma e morreu com 68 anos, em 12 de Abril de 1975. As cerimónias fúnebres realizaram-se em Paris e o seu corpo foi sepultado em Mónaco.

Alguns dos motivos porque deixo aqui estas notas sobre Josephine Baker, que rebusquei na net:

A primeira e principal por a Antena 1 a trazer à minha recordação através da entrevista de João Moreira dos Santos. Depois porque quando eu era ainda um adolescente e ela uma mulher já madura, vi-a num programa em directo (só se faziam directos) na R.T.P. e o seu rosto, embora já a dar indícios da “estação outonal”, trouxe-me á memória um outro rosto que eu tentava esquecer e que me causava alguma amargura sempre que me lembrava dele (passagens da adolescência). E ainda porque mais tarde tive conhecimento da dimensão dessa mulher que disse nesse programa em directo na R.T.P.: – «Perguntamo-nos por vezes, com razão, por que nascemos, por que nascemos com outra cor, de cor. No entanto foi o bom Deus que nos fez desta cor. Amamos todas as crianças, todas as crianças do mundo inteiro, não importa de que países venham porque são as crianças que se tornarão mais tarde homens; homens grandes, espero, que se amarão entre eles na fraternidade universal. É nisso que acredito, na fraternidade universal. Não tem importância a cor, os continentes de onde vêm, nada: são homens». – E ainda por outros factos que li dessa mulher que se impôs pelo seu carácter numa época complicada pelo racismo, e a segregação que sentiu no seu próprio País, e pela guerra nazista que também tinha por base o racismo.

Sei que no Brasil também foi muito acarinhada, não só pelo que li mas por uma coincidência: estive no Copacabana Palace Hotel e recordo-me de ter visto no salão onde estão fotos das figuras mais proeminentes do tempo mais remoto do hotel até ao presente, refiro-me ao presente em que passei por lá, e vi algumas fotos das celebridades que por lá passaram e reconheci a “Vénus Negra”, a “Deusa de ébano.

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Sobre antonilourenco

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