A propósito de:“O mal está feito…são muitas as gerações desde 74. É tempo de mudar…”


Dito assim, até parece muito simples: O erro nasceu em 1974!

“(- Conselho de um qualquer Bom Pai Português (com inocência a enganar, desde 1974-  Nota no Facebook): Terça-feira, 1 de Março de 2011 ás 3:21

por Toni Lourenço a Terça-feira, 1 de Março de 2011 às 3:21

Coimbra

– Conselho de um qualquer Bom Pai Português (inocentemente a enganar, desde 1974):

“Para seres alguém na vida tens de entrar para a Universidade.”

Em 1991, tive Professores de Matemática que eram licenciados em Engª Química. Seriam bons Professores?

Vi colegas, que não conseguiam entrar em Economia, a entrar em Letras.

Vi gente com 18 anos, sem objectivos profissionais concretos e sem qualquer consciência das suas vocações, a entrar para o ensino superior só pelo simples facto de ser Ensino Superior.

Vi vaidade oca sustentada por títulos e ordenados chorudos.

Vi Agricultores, Carpinteiros, Sapateiros, Pedreiros, Ferreiros, a serem tratados como ignorantes e aberrações, por uma cambada de caloiros pedantes da minha idade…

Vi o início de tudo o que se está a reflectir agora.

A geração imediatamente anterior à minha, ocupa neste momento grande parte da função pública, e a maioria dos quadros empresariais. Parte desses, que todas as segundas-feiras de manhã fazem um grande frete ao ir trabalhar, que venderam a alma pelos ordenados, para ter a casa e o carro que sempre desejaram… São esses os responsáveis pelo actual PIB. Trabalha-se mas não se produz. Olha-se para o relógio à espera do expediente.

Espero que estes pelo menos consigam dar alguns conselhos úteis aos filhos, que estão prestes a manifestar-se contra a precariedade laboral (dia 12 de Março), para a qual foram empurrados pelo sistema e pela cultura portuguesa.

Não há lugar para tanto Licenciado e Mestrado. Mas espero que ainda haja lugar para os bons profissionais. Aqueles que tiveram a sorte de conseguir seguir a sua vocação e que hoje em dia até emigram para poder continuar o seu percurso profissional. Esses que fazem cá falta… mas não ficam cá. Falta-lhes a cunha. O seu lugar merecido está ocupado por um burro qualquer, filho ou sobrinho de não sei quem…

O que me lembra que a geração do pós 25 de Abril, são os que chegaram recentemente aos cargos políticos e aos altos cargos do sector privado. Hoje são os principais corruptos do nosso sistema político e económico.

Para todos vocês, que vão gritar no dia 12, e que não sabem muito bem o que fazer às vossas vidas:

– Conselho de um Multimilionário Alemão:

“Se queres ser feliz e bem sucedido, agarra no teu Hobby preferido, e faz dele a tua profissão.”

– Frase de um livro da 4a Classe do meu Pai (nascido em Coimbra em 1932):

“Todas as profissões são honrosas, exercidas com consciência.”

Abraços, e Força para todos vocês, que vão estar em Lisboa no dia 12 de Março.

António Lourenço

Coimbra”

O meu contraponto:

Conselho de um qualquer Bom Pai Português (sem inocência nem a enganar, desde 1955), por exemplo:

Para seres alguém na vida tens que ter uma arte: electricista; torneiro mecânico; chapeiro de automóveis; carpinteiro; tipógrafo; mas se conseguires, o melhor será qualquer emprego na função pública; carteiro; guarda-fios; caminhos-de-ferro, contínuo em qualquer repartição de câmara, “depois ascenderás na hierarquia ”, etc.

Trabalhar em bancos, companhias de seguros ou similares já seria para a classe média .Hoje, essa classe média desapareceu, à época, seria a ALTA de hoje. Quem tinha acesso a estes empregos eram os que andavam a “marrar” no liceu anos e anos e por fim desistiam com o quinto ou sétimo (equivalente ao 10º e 12º) anos por não conseguirem entrar na faculdade para tirar o tal canudo.

– Conselho de um qualquer Bom Pai Português (sem inocência nem  a enganar, desde 1955, por exemplo),

”Para seres alguém na vida tens de entrar para a Universidade”, não era dado por nenhum Pai. Nessa geração e nas que se seguiram por alguns anos mais, só podia aspirar ao sonho de tirar um curso superior quem fosse da “classe superior” ou seja, RICA.

“Não se via gente com 18 anos, sem objectivos profissionais concretos e sem qualquer consciência das suas vocações, a entrar para o ensino superior só pelo simples facto de ser Ensino Superior.” Entrava-se porque não se tinha que começar a trabalhar aos 11 anos, pelo contrário, podia-se andar a estudar até aos 30 ou 35 para tirar o curso e se não o conseguisse tirar sair da faculdade, “na maior”,  e ir para a fábrica, armazém, escritório do pai, do irmão do pai, do amigo do pai, por ai…com o futuro garantido.

Claro que havia excepções: Pais “remediados” que se sacrificavam pelos filhos que mostravam vocação para prosseguir os estudos e conseguiam tirar a licenciatura da sua preferência, não a da segunda ou da terceira escolha, como hoje, mas por razões estruturais que são dramáticas para os estudantes de hoje. Nessa altura era por opção, esforço e mérito. Hoje,  a escolha do curso é o grande dilema de quem tem que decidir.  O número de candidatos excede largamente o número de vagas. Ou se tem notas muito altas ou se opta por alternativas. Começam aqui as frustrações para quem tem que optar …e as desilusões para quem fica à porta.

Mas concordo consigo: “O mal está feito… são muitas as gerações desde 74. É tempo de mudar…”

Mas não voltar ao passado obviamente da miséria e da opressão, da prepotência e da lei do mais forte, da ignorância, (sei que há um grade paralelismo entre estes adjectivos e o que está a acontecer com a sociedade actual, mas sejamos claros, são tempos absolutamente distintos do chamado Estado Novo), agora a ignorância é incomensuravelmente menor e a liberdade de expressão é manifestamente inexistente.

Feita esta ressalva da vivência das gerações do antes de 74, só posso dizer que estou inteiramente de acordo como analisa e descreve  o período das últimas décadas.

190.000 diplomados no desemprego, num País pequeno como o nosso, É MUITA GENTE!

900 mil trabalhadores a recibos verdes, sem quaisquer direitos  É MUITA GENTE!

11.2% população desempregada É MUITA GENTE!

A manifestação está aí, façam dela uma “festa” para que o futuro seja mais alegre.

António Lourenço

Porto

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